
Mitos: Manancial Arquetípico da Humanidade
Os mitos compõem um dos substratos essenciais das diversas culturas humanas, eles existem em todas as civilizações ao longo da história, desde as consideradas mais primitivas -como a maioria das nações indígenas brasileiras - passando por culturas ditas civilizadas do passado, como a grega e a egípcia, chegando às modernas sociedades ocidentais, onde criaturas míticas ainda povoam o imaginário das pessoas e contribuem fortemente para o sentido de identidade cultural de um povo.
Muitos mitos configuram aquilo que Jung chamou de arquétipo, substrato profundo da cultura humana que já se introgetou no cerne da espécie sendo transmitido geneticamente, como um manancial cultural inerente a toda a humanidade. Alguns desses arquétipos configuram-se na forma de mitos que se assemelham profundamente, mesmo aparecendo em épocas e culturas muito distintas, como é o caso do mito grego da Sereia, a bela, sedutora e mortífera criatura dos mares, híbrido "humanimal", mixando ao corpo de mulher uma cauda de peixe, ela tem uma "irmã" muito semelhante na cultura indígena e cabocla brasileira, a chamada Yara ou Mãe D'Água que também hipnotiza os pescadores com sua beleza e leva-os a mergulhar para a morte na água dos rios.
Muitos seres híbridos de animal e homem compõem parte do manancial mítico global, desde o Minotauro de Creta, passando pelo mítico Ganesh, deus-elefante, da cultura hinduísta e chegando finalmente a mitos modernos como o do Pé-grande.
As Quimeras Mitológicas da Ciência Contemporânea
Os avanços da genética têm produzido as primeiras criaturas que hibridizam espécies diversas, criando as primeiras “quimeras” reais. Os seres transgênicos já são uma realidade, e o futuro talvez venha a revelar-nos um mundo de humanos híbridos, tornando também verdade o design de mitos imemoriais, como eu sugiro no universo ficcional da “Aurora Pós-humana”, onde os avanços tecnológicos da engenharia genética fazem surgir uma nova raça híbrida fundindo os mais diversos genes animais e vegetais aos humanos.
O trabalho de web arte “O Mito Ômega” é um site baseado no conceito de design evolucionário, definido por Christa Sommerer & Laurent Mignonneau, onde o design das criaturas depende da interação dos visitantes em seu processo evolucionário.
O Site
Você e internautas de todo o mundo são convidados a interagir com um ambiente digital composto por algoritmos evolucionários. Primeiramente mixando seu metafórico “DNA digital” - obtido a partir da decodificação de seu nome ou foto - ao DNA digital de uma das 15 criaturas míticas previamente desenhadas (3 por continente). Essa criatura singular é posteriormente inserida no ambiente de vida artificial e dentro dele irá se mixar a outras criaturas preexistentes em constante processo de reprodução e evolução. O trabalho reúne, segundo Couchot, duas formas de interatividade: a endógena – das entidades virtuais entre si, e a exógena – do espectador para com o mundo digital.
Você também poderá acompanhar gradativamente a evolução das criaturas, observando as diversas gerações em uma diagrama.
O Mito Ômega, design metafórico da criatura síntese de todos os mitos do globo, será a última criatura gerada no ambiente de vida artificial, após um ano de permanência do site on-line.